Neuralgia do Trigêmio

A neuralgia do trigêmeo é uma dor orofacial localizada no território de uma ou mais divisões do nervo trigêmeo, geralmente acometendo um dos lados do rosto, exceto quando é causada por esclerose múltipla, que pode ser bilateral. Sua incidência aumenta com a idade, sendo mais alta após os 80 anos. É quase duas vezes mais comum em mulheres.

A maioria dos pacientes apresenta dor puramente paroxística, caracterizada por episódios de início súbito de dor lancinante, semelhantes a choques elétricos, normalmente com duração de alguns segundos até 2 minutos, em um ou mais territórios faciais inervados pelas divisões do nervo trigêmeo. Os locais mais comuns são as divisões mandibular e maxilar do trigêmeo, mas também pode ocorrer no território oftálmico ou até em uma combinação entre eles. Essa dor pode ocorrer espontaneamente ou após estímulos ou certos movimentos da face, chamados de gatilhos, como lavar o rosto, falar, bocejar ou escovar os dentes. Outros pacientes, além da dor paroxística, também podem apresentar uma dor contínua em peso, no mesmo território.

 

A neuralgia do trigêmeo pode ser classificada como:

– Idiopática: ocorre sem uma causa aparente.

– Clássica: causada por uma compressão vascular (artéria ou veia) na raiz do nervo

trigêmeo, dentro do crânio.

– Secundária: como consequência de uma outra doença neurológica, como um tumor no

ângulo pontocerebelar, cisto ou esclerose múltipla.

O diagnóstico dessa patologia é baseado na história clínica e exame físico neurológico, porém uma ressonância magnética do crânio normalmente é solicitada para avaliar se há alguma compressão neurovascular ou alguma outra lesão.

O tratamento inicial é baseado no uso de medicações específicas, como a carbamazepina e oxcarbazepina. Além delas, baclofeno, gabapentina, fenitoína, clonazepam, valproato também podem ser utilizados.

Para casos em que não há melhora clínica, ou quando o paciente apresenta muitos efeitos adversos com as medicações, o tratamento cirúrgico pode ser indicado. Alguns estudos mostram que até 50% dos pacientes vão precisar de alguma intervenção cirúrgica em algum momento. Os principais procedimentos realizados são a descompressão microvascular do trigêmeo e os procedimentos ablativos.

Na descompressão microvascular do trigêmeo, é realizada uma craniotomia (retirada de uma pequena parte do osso occipital), exploração da região onde está localizado o nervo trigêmeo e afastamento de um possível vaso que esteja comprimindo esse nervo. É o procedimento que oferece a maior chance de alívio da dor, com a menor recorrência, sendo indicado principalmente quando se identifica uma compressão neurovascular na ressonância magnética.

Já os procedimentos ablativos lesam o nervo trigêmeo de maneiras diferentes, reduzindo assim a transmissão da dor. Eles são mais indicados em pacientes idosos, que não toleram cirurgias maiores, ou quando não é identificada compressão neurovascular. Os mais realizados são compressão do gânglio trigeminal por balão e rizotomia por radiofrequência.

Na compressão do gânglio trigeminal por balão, a lesão das fibras do trigêmeo é feita através da insuflação de um balão que é inserido de maneira percutânea através da face, em direção a base do crânio, sendo guiado por raio X, como na foto abaixo. Esse procedimento é realizado normalmente com anestesia geral e oferece resultados muito satisfatórios.

 

Já na rizotomia por radiofrequência, o acesso ao nervo é realizado de maneira semelhante ao da compressão por balão, porém a lesão do nervo é feita com o uso da radiofrequência, que provoca uma lesão térmica do nervo. É um procedimento que pode ser realizado com anestesia local e sedação, porém necessita da cooperação do paciente e é indicado apenas em casos específicos.

Em algumas situações, onde o paciente apresenta risco cirúrgico alto, ou não quer ser submetido ao tratamento cirúrgico, a radiocirurgia (tipo específico de radioterapia) pode ser utilizada.

Dr. Silvio Gameleira
Neurocirurgia
CRM-AL 5635 / RQE 3859

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