Hérnia de disco lombar

A coluna vertebral é formada pelas vértebras e discos intervertebrais. O disco intervertebral é uma estrutura situada entre dois corpos vertebrais e tem como principal função a absorção e distribuição dos impactos sobre a coluna. Ele é formado por uma porção interna (núcleo pulposo), uma externa (ânulo fibroso), além de uma placa cartilaginosa.

Hérnia de disco é a projeção da parte central do disco intervertebral, o núcleo pulposo, para além de seus limites, devido a uma fissura na sua porção externa, o ânulo fibroso. Essa fissura do ânulo pode ter origem crônica (pelo envelhecimento, desidratação e degeneração do disco) ou aguda (trauma ou ruptura aguda). Quando isso ocorre, a porção do disco que saiu do lugar pode comprimir a raiz nervosa que passa ao lado, levando à dor que irradia para o membro inferior, a chamada dor ciática. Além disso, o próprio processo degenerativo discal é um dos responsáveis pela ocorrência da dor lombar.

 

Os principais fatores relacionados ao processo degenerativo discal são a hereditariedade, o envelhecimento, a má postura, obesidade, tabagismo e sedentarismo. A ruptura do disco também pode ocorrer após um evento agudo, como um trauma ou um esforço físico, por exemplo.

As hérnias de disco podem ocorrer na coluna cervical, torácica ou lombar. Elas são relativamente frequentes na faixa etária entre 20 e 40 anos.

Algumas hérnias discais lombares podem não apresentar sintomas, sendo apenas achados em exames de imagem. Quando sintomáticas, elas podem se manifestar com dor lombar (lombalgia), dor no quadril e nádegas, dor e formigamento que irradiam para uma ou ambas as pernas (dor ciática), e, nos casos mais graves, pode levar a fraqueza na movimentação dos membros inferiores ou a sintomas de retenção urinária.

O diagnóstico é realizado através da história clínica e exame físico, realizados pelo médico, complementado pela ressonância magnética da coluna lombar.

O tratamento é iniciado com o uso de medicamentos, como analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e medicações para dor neuropática, associado a repouso relativo por um período curto e terapia física, como fisioterapia, pilates e RPG. Acupuntura também pode ser realizada. A taxa de melhora dos sintomas pode chegar a 85% a 90% dos casos.

Em casos em que não há melhora com as medidas citadas acima, o médico pode lançar mão de infiltrações na coluna lombar guiadas por exames de imagem (radiografia, tomografia ou ultrassonografia). Nesse procedimento, medicações anestésicas e corticoides são injetadas diretamente na região da coluna onde está o problema, auxiliando na melhora da dor.

A cirurgia de remoção da hérnia geralmente é indicada quando a dor persiste após um período de cerca de 4 a 6 semanas de tratamento conservador adequado, o que corresponde à maioria das indicações cirúrgicas. Outras indicações para a cirurgia são: déficit motor (fraqueza muscular na perna) ou na presença de alterações esfincterianas (retenção de urina e fezes).

A cirurgia padrão-ouro para a remoção da hérnia de disco é a microdiscectomia lombar, em que é realizada uma incisão de cerca de 3cm na região lombar, uma pequena remoção óssea e a hérnia é removida com o auxílio do microscópio cirúrgico, descomprimindo o nervo. Essa cirurgia é realizada com anestesia geral.

Com o avanço tecnológico, técnicas menos invasivas vem sendo desenvolvidas, visando reduzir a agressão cirúrgica ao paciente, diminuir o tempo cirúrgico, além de proporcionar alta e retorno mais rápido às atividades diárias. As principais cirurgias minimamente invasivas para hérnia de disco lombar são as cirurgias tubulares (em que a cirurgia é feita com o uso de microscópio, através de tubos, o que permite uma menor incisão cirúrgica e menor agressão tecidual) e a cirurgia endoscópica.

Na cirurgia endoscópica, toda a cirurgia é realizada através de um endoscópio (câmera), com uma incisão de cerca de 1cm, reduzindo assim o trauma na região lombar e nas estruturas da coluna lombar. Em casos selecionados, ela pode ser feita com o paciente acordado, com anestesia local e sedação, e algumas vezes o paciente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte.

É muito importante procurar um especialista na presença dos sintomas acima, para maiores esclarecimentos.

Dr. Silvio Gameleira
Neurocirurgia
CRM-AL 5635 / RQE 3859

 

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